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terça-feira, 6 de maio de 2014

O quanto sei de ti


Sei que ainda espera por mim naquele mesmo portão enferrujado. Sei, também, que ainda me encontra dentro daquelas músicas que ouvíamos juntos. Sei que continua lendo meus textos despudorados e que neles, ainda procura algum indício do nosso amor. Sei que ainda se lembra das minhas caretas, agora sem graça. Sei que ainda lembra daqueles dias infinitos que ficávamos debaixo do edredom...

Sei que sente falta das coisas que eu escrevia só pra te dar razões pra enfrentar uma nova semana. Sei que seus batimentos ainda falham, por segundos, quando se engana e na multidão vê alguém parecida comigo. Sei que ainda se lembra de mim a cada gole de café e que quando olha para a xícara vazia, quase morre em meio a falta da minha presença.

Sei que ainda torce pra eu não parar de escrever, e que ainda espera ansioso pelos meus textos que falam sobre você. Sei que ainda vê o quarto girando quando, depois de muitos goles a mais, deita sozinho no escuro do quarto e mais uma vez jura que nunca beberá mais do que um copo de suco.

Sei que ainda sabe o quanto sei de ti, mas insiste em disfarçar. E sei que, em silêncio, você implora ao tempo para me apagar de vez.

Aline Spitzer.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Quando eu for embora de vez...


Vai, guarda a chave que você largou jogada do lado do sofá, tira as roupas da máquina, lave e guarde a louça que você usou, coloque o seu coração em ordem e não esquece de fechar as janelas antes que comece a chover. Eu não estarei mais aqui para te ajudar a organizar as suas coisas e te fazer companhia quando o desespero por estar sozinho bater. Espero que me entenda... espero que não me espere mais.

E quando eu for embora de vez, guarde os livros que nunca li, guarde minhas poesias, meus suspiros e minha gargalhada. Faça a barba e esqueça de adoçar o café, assim o mundo vai saber que eu não moro mais em você. Quando eu for embora de vez, tire as meias, lave as camisas e arrume a casa. Não chore, não conserve o medo, não engula as feridas, não deixe a casa sozinha e também não seja consumido pela solidão dela.

É que eu quero amor e eu acho que eu preciso partir pra te entender melhor... porque percebi que aquilo que você chamava de amor nada mais era do que uma carência disfarçada.

Nossos nós estão frouxos demais e nossos pés andam cada vez mais distantes e errantes, como se andássemos juntos para trás. Dei um voto para o nosso amor. Você votou em branco. Fomos para o segundo turno. Você fez toda a campanha em favor da nossa felicidade mas, no fim, o seu voto foi um veto: você votou nulo. Portanto, quando eu apagar as luzes e for embora de vez, aproveite e apague tudo o que existe de nosso em seu celular.

Mas amor, saiba que quando eu for embora de vez, meu coração vai ficar, meu infinito ainda vai te abraçar e se quiser vir comigo, moço, vem... porque meu mundo inteiro dorme em você.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Se você quiser partir...



Se você quiser mesmo partir, se essa sua partida é inevitável, se seu egoísmo é mesmo indispensável, se seu coração é mesmo impenetrável, vá logo de uma vez.

Não permita que eu me apegue, não permita que a gente crie laços e faça planos. Não me deixe crer no que não há verdade. Vá antes de borrar meu rímel, antes de ferir minha coragem, antes que eu jogue meu instinto de sobrevivência pela janela do 7° andar de um prédio qualquer, não me importando mais com meus próprios sentimentos. Não provoque meu medo e não destrua meu falso equilíbrio.

Apenas vá. Leve tudo o que é seu para que nenhuma lembrança sua perfure meus sorriso cheio de lágrimas. Não me deixe criar um relacionamento individual, onde eu incorporo todos os personagens e você nem é capaz de aplaudir minhas fragilidades teatrais.

Se minhas palavras embaralhadas confundem sua mente, peço paciência. Mas não ignore o que eu sou por não ter forças pra me decifrar, não fuja antes de saber o que eu posso fazer pra te dar uma vida.

Você tem medo de ser feliz? Então dividimos esse mesmo pavor doentio da felicidade, podemos partilhar o pânico de sorrir até que a tristeza não faça mais sentido pra nós dois.

Se você quiser partir, se sua partida é inevitável, se seu egoísmo é mesmo indispensável, se seu coração é mesmo impenetrável... ao menos arrisque me carregar junto de você.

Aline Spitzer.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Por que você demorou tanto?


Ei, tenho pensado em você com muito carinho viu. Sempre desejando que você durma bem, sempre querendo te sequestrar da solidão de uma possível insônia, caso você não tenha sonhos bons. Sempre pensando nesse teu jeito bravo e ao mesmo tempo tão puro...
Sabe, as coisas estão mudando dentro de mim. Ainda não sei bem explicar o quê, mas então, me deixa escrever pra você...

É que eu queria roubar um pouco de você pra mim, um pouco do seu abraço que ainda não tive, um pouco dos seus beijos que ainda não provei, da sua barba macia que eu quero sentir. 

Eu pinto o amor com as cores dos teus olhos, moço. E também com as palavras que você me escreve antes de dormir... eu vi em você a minha paz, meu riso e aqueles meus velhos sentimentos. Não reclamo, quero cuidar bem da gente... e cuidar de você traria um tom a mais, um riso a mais, um fogo a mais.

Pode parecer exagero agora. Ainda é cedo, eu sei.. Mas é que só você conseguiu pular o muro de dificuldades que levantei em torno de mim quando a dor me transformou numa menina de lata.

Hoje a gente meio que sabe o que vai acontecer, mas ainda fica a misteriosa chance da gente se roubar, fica o vazio na noite deixando os beijos pra depois, fica cada um em sua cama querendo trocar a insônia por um pouco de carinho, fica aquele desejo porque a gente morre de medo do que vem por aí.

Mas bem que você podia ficar e dar razão aos que dizem que se pode ser feliz todos os dias. Podia me mostrar que não preciso gostar dessa dor... Não, na verdade nem precisa mostrar nada. Só fica.


Aline Spitzer.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Nós



Te procuro em cada olhar, em cada rosto estranho, em cada toque não dado pelas suas mãos.
Onde está você?

Dizem que nós apertam demais. Não entendo... nós éramos tão soltos, tão intensamente livres. Mas sempre ligados pelo nó que davam nossas pernas na hora de dormir...

Não há mais nada seu em meu quarto, apaguei todo o nosso histórico de conversas no computador e no celular, excluí tuas fotos mais bonitas... todas elas então. Meu Deus, como ele é incrivelmente lindo em todas as fotos. Vou excluir até as fotos que não tiramos juntos, mas que estão reveladas em minha memória.

Desatamos nós. Todos eles! Os nós das nossas pernas enlaçadas, nós das nossas mãos dadas, nós dos nossos abraços, nós das nossas línguas, nós dois.

A saudade deságua pelos meus olhos agora, molhando tudo o que já escrevi nesse papel... é a minha alma desatando os nós... da minha garganta.

Aline Spitzer.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Volta!



Não dormi mais após a tua partida. Não sei convencer meus olhos a ficarem fechados se dentro de mim mora o caos. Minha serenidade em euforia me abandonou! Deixa eu ver se ela está na minha bolsa...ou talvez embaixo da nossa cama. Procura por aí que ela deve estar dentro do seu bolso... ou na tua boca. Vai ver eu varri pro lado de fora da casa quando fui arrumar as roupas que estavam pelo chão do quarto, mas foi sem querer.

Agora meus pés já estão frios, bem como os lençóis... então eu me reviro nessa cama tão pequena, mas ao mesmo tempo tão grande. Fecho os olhos pra tentar prolongar o prazer que a tua língua ágil me deu nessas últimas horas e quase sinto a tua invasão lenta e torturante.

Abro os olhos e vejo que o meu lençol continua frio, e me traz o sinal de que estou realmente sozinha. O cansaço da mente e do corpo me faz lembrar que já deve ser tarde... mas isso nao importaria se você ainda estivesse aqui com teu olhar de fome e seu desejo sempre intenso e insaciável.

Mas quem sabe a minha ausência te deixe corroído de vontades, tuas pernas sintam falta do enlace das minhas, teus ouvidos sintam falta dos nossos gritos, tuas mãos fortes implorem pela minha cintura e meu gosto apareça na tua boca...

... e então você volta!

Aline Spitzer.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Aquela Moça


Enquanto ela passa, todos estão olhando. Comentam sobre seu olhar, falam sobre seu corpo, reparam em seu mistério e disputam sua atenção. Só que quando a moça olha, todos fingem não vê-la; quando a moça grita, ninguém escuta; e se a moça quiser companhia... vai continuar só!

Todo mundo deseja aquela moça, mas ela dorme abraçada com seu peito vazio... que ninguém quer ocupar! Aquela moça deve ter um coração tão pesado que ninguém quer se arriscar a carregar... Mas ninguém sabe disso. Quem olha de longe não percebe, e quem se aproxima nunca vai saber.

Ela gosta de livros e MPB, gosta de andar até os pés reclamarem, tem preguiça de gente que conta vantagens e vê pequenos detalhes onde todos enxergam cotidiano. Mas acima de tudo, a moça está cansada de assustar e afastar pessoas, está cansada de esperar por tantas promessas de futuro e cansada de ficar pra trás mais uma vez.

Quem vai cuidar daquela menina triste? Quem vai ter coragem de carregar seu coração pesado? Ninguém. Mas a moça ainda tem forças pra acreditar.

Enquanto isso ela espera as coisas acontecerem... mas, esperar dói.

Aline Spitzer.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Minha razão se foi...



Como posso querer estar no controle de tudo sendo que eu nem tenho controle daquilo que me enlouquece? De fato, minha razão se foi...

Vivo me perguntando: quão louca eu tenho que ser para alcançar minha sanidade?

Eu não quero morrer por segundos não vividos... mas estou vivendo pra não te deixar morrer em mim. Tenho muitos motivos para seguir em frente e te esquecer, mas sempre encontro muitos outros para te deixar passar pela minha vida com uma história verdadeira e, talvez, eterna.

É essa minha estranha necessidade de ser vista, de estar perto de você e de interpretar seus movimentos em favor de encontrar algo que não me faça desistir... minha razão se foi novamente.

Estou fixa, mas me arrasto. E continuo correndo em círculos... atrás de você.

Aline Spitzer.