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terça-feira, 6 de maio de 2014

O quanto sei de ti


Sei que ainda espera por mim naquele mesmo portão enferrujado. Sei, também, que ainda me encontra dentro daquelas músicas que ouvíamos juntos. Sei que continua lendo meus textos despudorados e que neles, ainda procura algum indício do nosso amor. Sei que ainda se lembra das minhas caretas, agora sem graça. Sei que ainda lembra daqueles dias infinitos que ficávamos debaixo do edredom...

Sei que sente falta das coisas que eu escrevia só pra te dar razões pra enfrentar uma nova semana. Sei que seus batimentos ainda falham, por segundos, quando se engana e na multidão vê alguém parecida comigo. Sei que ainda se lembra de mim a cada gole de café e que quando olha para a xícara vazia, quase morre em meio a falta da minha presença.

Sei que ainda torce pra eu não parar de escrever, e que ainda espera ansioso pelos meus textos que falam sobre você. Sei que ainda vê o quarto girando quando, depois de muitos goles a mais, deita sozinho no escuro do quarto e mais uma vez jura que nunca beberá mais do que um copo de suco.

Sei que ainda sabe o quanto sei de ti, mas insiste em disfarçar. E sei que, em silêncio, você implora ao tempo para me apagar de vez.

Aline Spitzer.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Volta!



Não dormi mais após a tua partida. Não sei convencer meus olhos a ficarem fechados se dentro de mim mora o caos. Minha serenidade em euforia me abandonou! Deixa eu ver se ela está na minha bolsa...ou talvez embaixo da nossa cama. Procura por aí que ela deve estar dentro do seu bolso... ou na tua boca. Vai ver eu varri pro lado de fora da casa quando fui arrumar as roupas que estavam pelo chão do quarto, mas foi sem querer.

Agora meus pés já estão frios, bem como os lençóis... então eu me reviro nessa cama tão pequena, mas ao mesmo tempo tão grande. Fecho os olhos pra tentar prolongar o prazer que a tua língua ágil me deu nessas últimas horas e quase sinto a tua invasão lenta e torturante.

Abro os olhos e vejo que o meu lençol continua frio, e me traz o sinal de que estou realmente sozinha. O cansaço da mente e do corpo me faz lembrar que já deve ser tarde... mas isso nao importaria se você ainda estivesse aqui com teu olhar de fome e seu desejo sempre intenso e insaciável.

Mas quem sabe a minha ausência te deixe corroído de vontades, tuas pernas sintam falta do enlace das minhas, teus ouvidos sintam falta dos nossos gritos, tuas mãos fortes implorem pela minha cintura e meu gosto apareça na tua boca...

... e então você volta!

Aline Spitzer.