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terça-feira, 6 de maio de 2014

O quanto sei de ti


Sei que ainda espera por mim naquele mesmo portão enferrujado. Sei, também, que ainda me encontra dentro daquelas músicas que ouvíamos juntos. Sei que continua lendo meus textos despudorados e que neles, ainda procura algum indício do nosso amor. Sei que ainda se lembra das minhas caretas, agora sem graça. Sei que ainda lembra daqueles dias infinitos que ficávamos debaixo do edredom...

Sei que sente falta das coisas que eu escrevia só pra te dar razões pra enfrentar uma nova semana. Sei que seus batimentos ainda falham, por segundos, quando se engana e na multidão vê alguém parecida comigo. Sei que ainda se lembra de mim a cada gole de café e que quando olha para a xícara vazia, quase morre em meio a falta da minha presença.

Sei que ainda torce pra eu não parar de escrever, e que ainda espera ansioso pelos meus textos que falam sobre você. Sei que ainda vê o quarto girando quando, depois de muitos goles a mais, deita sozinho no escuro do quarto e mais uma vez jura que nunca beberá mais do que um copo de suco.

Sei que ainda sabe o quanto sei de ti, mas insiste em disfarçar. E sei que, em silêncio, você implora ao tempo para me apagar de vez.

Aline Spitzer.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

É esse teu avesso, moreno.



Você e esse teu jeito confuso. Você e teu silêncio. Você e tuas cheganças. Você e tuas partidas. Você e teu avesso... e é esse teu avesso que me encanta!

Seus olhos não escondem toda a história por trás desse rosto e dessa constante expressão de desaprovação do mundo misturada com seu sorriso sádico. A estrada tem sido difícil, moreno. Eu sei bem disso. Toda essa sua solidão e essas suas barreiras me deixam um tanto quanto triste. Eu poderia te mostrar que a felicidade existe e que seria esse o meu sobrenome quando estivéssemos juntos. Ok, isso é brega! Mas há sempre um quê de brega nas coisas mais sinceras. Eu te olho intensamente e com olhos de criança todas as vezes que tento te dizer palavras de confiança. Mas ninguém é tão frágil quanto você, meu bem.

Ela te machucou. Uma frase tão simples, porém com um contexto tão grande quanto a dor que você sente toda vez que se lembra do passado. Você tem se deixado abalar demais. E essa diversão que inebria sua pele é mais por proteção do que por vontade. É aquela velha história de cair no abismo e se machucar mais ainda. Mas existe beleza nessa sua solidão involuntária. E você é excepcionalmente lindo quando acredita em mim com os olhos.

Eu ainda estou aqui porque quero assumir a sua bagunça, quero o risco de cuidar de você, quero tuas palavras não ditas, teu desatino, teus gritos contidos, tuas feridas abertas, tuas mágoas passadas, tuas loucuras presas, teus medos indizíveis, teus enganos, teus movimentos errados, tuas estradas de equívocos, tuas vitórias inocentes, tuas batalhas sofridas. Eu quero o teu avesso... e as suas mãos, em mim.

Aline Spitzer.