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terça-feira, 6 de maio de 2014
O quanto sei de ti
Sei que ainda espera por mim naquele mesmo portão enferrujado. Sei, também, que ainda me encontra dentro daquelas músicas que ouvíamos juntos. Sei que continua lendo meus textos despudorados e que neles, ainda procura algum indício do nosso amor. Sei que ainda se lembra das minhas caretas, agora sem graça. Sei que ainda lembra daqueles dias infinitos que ficávamos debaixo do edredom...
Sei que sente falta das coisas que eu escrevia só pra te dar razões pra enfrentar uma nova semana. Sei que seus batimentos ainda falham, por segundos, quando se engana e na multidão vê alguém parecida comigo. Sei que ainda se lembra de mim a cada gole de café e que quando olha para a xícara vazia, quase morre em meio a falta da minha presença.
Sei que ainda torce pra eu não parar de escrever, e que ainda espera ansioso pelos meus textos que falam sobre você. Sei que ainda vê o quarto girando quando, depois de muitos goles a mais, deita sozinho no escuro do quarto e mais uma vez jura que nunca beberá mais do que um copo de suco.
Sei que ainda sabe o quanto sei de ti, mas insiste em disfarçar. E sei que, em silêncio, você implora ao tempo para me apagar de vez.
Aline Spitzer.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Se você quiser partir...
Se você quiser mesmo partir, se essa sua partida é inevitável, se seu egoísmo é mesmo indispensável, se seu coração é mesmo impenetrável, vá logo de uma vez.
Não permita que eu me apegue, não permita que a gente crie laços e faça planos. Não me deixe crer no que não há verdade. Vá antes de borrar meu rímel, antes de ferir minha coragem, antes que eu jogue meu instinto de sobrevivência pela janela do 7° andar de um prédio qualquer, não me importando mais com meus próprios sentimentos. Não provoque meu medo e não destrua meu falso equilíbrio.
Apenas vá. Leve tudo o que é seu para que nenhuma lembrança sua perfure meus sorriso cheio de lágrimas. Não me deixe criar um relacionamento individual, onde eu incorporo todos os personagens e você nem é capaz de aplaudir minhas fragilidades teatrais.
Se minhas palavras embaralhadas confundem sua mente, peço paciência. Mas não ignore o que eu sou por não ter forças pra me decifrar, não fuja antes de saber o que eu posso fazer pra te dar uma vida.
Você tem medo de ser feliz? Então dividimos esse mesmo pavor doentio da felicidade, podemos partilhar o pânico de sorrir até que a tristeza não faça mais sentido pra nós dois.
Se você quiser partir, se sua partida é inevitável, se seu egoísmo é mesmo indispensável, se seu coração é mesmo impenetrável... ao menos arrisque me carregar junto de você.
Aline Spitzer.
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Por que você demorou tanto?
Ei, tenho pensado em você com muito carinho viu. Sempre
desejando que você durma bem, sempre querendo te sequestrar da solidão de uma
possível insônia, caso você não tenha sonhos bons. Sempre pensando nesse teu
jeito bravo e ao mesmo tempo tão puro...
Sabe, as coisas estão mudando dentro de mim. Ainda não sei
bem explicar o quê, mas então, me deixa escrever pra você...
É que eu queria roubar um pouco de você pra mim, um pouco do
seu abraço que ainda não tive, um pouco dos seus beijos que ainda não provei,
da sua barba macia que eu quero sentir.
Eu pinto o amor com as cores dos teus olhos, moço. E também
com as palavras que você me escreve antes de dormir... eu vi em você a minha
paz, meu riso e aqueles meus velhos sentimentos. Não reclamo, quero cuidar bem
da gente... e cuidar de você traria um tom a mais, um riso a mais, um fogo a
mais.
Pode parecer exagero agora. Ainda é cedo, eu sei.. Mas é que
só você conseguiu pular o muro de dificuldades que levantei em torno de mim
quando a dor me transformou numa menina de lata.
Hoje a gente meio que sabe o que vai acontecer, mas ainda
fica a misteriosa chance da gente se roubar, fica o vazio na noite deixando os
beijos pra depois, fica cada um em sua cama querendo trocar a insônia por um
pouco de carinho, fica aquele desejo porque a gente morre de medo do que vem
por aí.
Mas bem que você podia ficar e dar razão aos que dizem que
se pode ser feliz todos os dias. Podia me mostrar que não preciso gostar dessa
dor... Não, na verdade nem precisa mostrar nada. Só fica.
Aline Spitzer.
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