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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Se você quiser partir...



Se você quiser mesmo partir, se essa sua partida é inevitável, se seu egoísmo é mesmo indispensável, se seu coração é mesmo impenetrável, vá logo de uma vez.

Não permita que eu me apegue, não permita que a gente crie laços e faça planos. Não me deixe crer no que não há verdade. Vá antes de borrar meu rímel, antes de ferir minha coragem, antes que eu jogue meu instinto de sobrevivência pela janela do 7° andar de um prédio qualquer, não me importando mais com meus próprios sentimentos. Não provoque meu medo e não destrua meu falso equilíbrio.

Apenas vá. Leve tudo o que é seu para que nenhuma lembrança sua perfure meus sorriso cheio de lágrimas. Não me deixe criar um relacionamento individual, onde eu incorporo todos os personagens e você nem é capaz de aplaudir minhas fragilidades teatrais.

Se minhas palavras embaralhadas confundem sua mente, peço paciência. Mas não ignore o que eu sou por não ter forças pra me decifrar, não fuja antes de saber o que eu posso fazer pra te dar uma vida.

Você tem medo de ser feliz? Então dividimos esse mesmo pavor doentio da felicidade, podemos partilhar o pânico de sorrir até que a tristeza não faça mais sentido pra nós dois.

Se você quiser partir, se sua partida é inevitável, se seu egoísmo é mesmo indispensável, se seu coração é mesmo impenetrável... ao menos arrisque me carregar junto de você.

Aline Spitzer.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Nós



Te procuro em cada olhar, em cada rosto estranho, em cada toque não dado pelas suas mãos.
Onde está você?

Dizem que nós apertam demais. Não entendo... nós éramos tão soltos, tão intensamente livres. Mas sempre ligados pelo nó que davam nossas pernas na hora de dormir...

Não há mais nada seu em meu quarto, apaguei todo o nosso histórico de conversas no computador e no celular, excluí tuas fotos mais bonitas... todas elas então. Meu Deus, como ele é incrivelmente lindo em todas as fotos. Vou excluir até as fotos que não tiramos juntos, mas que estão reveladas em minha memória.

Desatamos nós. Todos eles! Os nós das nossas pernas enlaçadas, nós das nossas mãos dadas, nós dos nossos abraços, nós das nossas línguas, nós dois.

A saudade deságua pelos meus olhos agora, molhando tudo o que já escrevi nesse papel... é a minha alma desatando os nós... da minha garganta.

Aline Spitzer.