sexta-feira, 25 de abril de 2014

Quando eu for embora de vez...


Vai, guarda a chave que você largou jogada do lado do sofá, tira as roupas da máquina, lave e guarde a louça que você usou, coloque o seu coração em ordem e não esquece de fechar as janelas antes que comece a chover. Eu não estarei mais aqui para te ajudar a organizar as suas coisas e te fazer companhia quando o desespero por estar sozinho bater. Espero que me entenda... espero que não me espere mais.

E quando eu for embora de vez, guarde os livros que nunca li, guarde minhas poesias, meus suspiros e minha gargalhada. Faça a barba e esqueça de adoçar o café, assim o mundo vai saber que eu não moro mais em você. Quando eu for embora de vez, tire as meias, lave as camisas e arrume a casa. Não chore, não conserve o medo, não engula as feridas, não deixe a casa sozinha e também não seja consumido pela solidão dela.

É que eu quero amor e eu acho que eu preciso partir pra te entender melhor... porque percebi que aquilo que você chamava de amor nada mais era do que uma carência disfarçada.

Nossos nós estão frouxos demais e nossos pés andam cada vez mais distantes e errantes, como se andássemos juntos para trás. Dei um voto para o nosso amor. Você votou em branco. Fomos para o segundo turno. Você fez toda a campanha em favor da nossa felicidade mas, no fim, o seu voto foi um veto: você votou nulo. Portanto, quando eu apagar as luzes e for embora de vez, aproveite e apague tudo o que existe de nosso em seu celular.

Mas amor, saiba que quando eu for embora de vez, meu coração vai ficar, meu infinito ainda vai te abraçar e se quiser vir comigo, moço, vem... porque meu mundo inteiro dorme em você.
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