domingo, 10 de agosto de 2014

Saudade é não saber... (carta ao meu falecido pai)

Nunca pensei que te escreveria esse carta, mas hoje é Dia dos Pais e por coincidência, seria o seu aniversário... então, eis-me aqui! Com caneta, papel e ideias soltas.

Gostaria que pudéssemos estar frente à frente, porém, não nos é permitido. Talvez eu nem conseguiria te dizer nenhuma palavra, mas aqui as minhas lágrimas não são visíveis. Aqui minhas emoções são quase imperceptíveis, camufladas pela composição dessas linhas que se seguem.

Depois de anos, hoje desfaço o nó da minha garganta, pra te escrever sobre minha saudade e da falta que sinto da sua presença física. Em muitas situações tive vontade de correr para os seus braços, e na falta deles, me aninhei no vazio que me consumia a alma. Quantas noites, no silêncio do meu quarto, eu senti a sua presença. Você mesmo ausente, se fazia presente dentro de mim. Quem dera eu tivesse o dom de te trazer de volta pra perto de mim, sem tempo de permanência. Quem dera eu pudesse ter de volta os teus afagos...

Quanto sorriso perdido, quanto passeio anulado, quanto abraço desviado... é uma saudade que jamais acaba, e que sempre aperta o peito.

Não é a dor que quero entender, essa dói e pronto, mas esse mistério de duas almas que não se tocam no físico e têm quase uma unidade na imortalidade.

Tenho orgulho de ser sua filha, e ainda mais de ser sempre reconhecida como "a filha do Claudio". Por sermos tão parecidos, por eu ser sua versão feminina, sangue do teu sangue.

Pai, tua lembrança ainda é viva dentro de mim. E em cada dia que amanhece, uma gota de saudade é acrescentada ao meu coração. Saudade é não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos, não saber como encontrar tarefas que distraiam os pensamentos, não saber como frear as lágrimas diante de uma lembrança sua, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e mesmo assim doer.

Sinto sua falta, pai.

Aline Spitzer
Postar um comentário