terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Chão de Nuvens


Eu sou assim, sou intensa, sou sensível, sou lida no toque, sou pêlo ouriçado que guarda digitais. 

E se eu não puder ser assim, de que adianta abrir os olhos pra ver a luz do dia? De quê adianta amar e ser amada, se o requisito pra me amarem é que eu tenha meus pés no chão? Mas num chão que construíram pra eu pisar... um chão que dizem ser o correto e sólido. Se realmente fosse, não existiriam tantas pessoas fora de si mesmas vagando por aí.

O meu chão é um mix de nuvens, sonhos, cacos de vidro e ovos. É nele que coloco meus pés todos os dias, e é isso que move meus planos. Eu tenho sim meus pés no chão, mas um chão só meu, que eu recriei. E quem quiser caminhar nele junto comigo, tire os sapatos e pise com cuidado, por favor.

Se você não quiser caminhar comigo, não me deixe sem chão. E também não me diga que sou sensível demais, porque a minha sensibilidade é a minha parte boa, é ela que me acerta, e é ela quem me fez dizer palavras de amor pra você. Aquelas palavras que você nunca deu importância, aqueles sentimentos que você pisoteou. Tudo fruto da tal sensibilidade que se tornou um defeito meu pra você.


Mas a ironia é que a minha sensibilidade está discando para o seu número agora me fazendo dizer, aos prantos, que eu te amo e que te quero de volta.

Aline Spitzer.
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